Agroecologia

Agroecologia – Histórico e Conceitos


por Alessander Von Wagner Fagundes

Coordenação Nacional FEAB – UFPR 2009-2010


Agroecologia, quanto ciência, surge na América-Latina na década de 1980, partindo dos acúmulos das diversas tendencias até então conhecidas como “Agriculturas Alternativas”, como exemplo na Alemanha a Agricultura Biodinâmica, Inglaterra a Agricultura Orgânica, no Japão a Agricultura Natural, entre outras. Na realidade, eram filosofias, técnicas, conceitos e princípios, que surgiram no início do século XX em resposta ao modelo de desenvolvimento que estava se estabelecendo. Após a II Guerra Mundial, com a promessa de resolver os problemas da fome no mundo, ocorre a “Revolução Verde”, um processo sucateamento das tecnologias bélicas para uso massivo na agricultura, como o caso da mecanização e utilização de insumos químicos.

No Brasil, por exemplo, na década de 1960, surge o Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR), o governo financiava as atividades agrícolas, porém, para obter o crédito, o agricultor deveria se comprometer em adequar seu sistema de produção aos “Pacotes Tecnológicos”, parte do crédito estava comprometido para compra de “Insumos Modernos”, e orgão de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural estavam voltados a implementação dessas tecnologias. Paralelo a esse processo, os sistemas de comunicação, transporte, alimentação, educação e saúde estavam passando por um processo semelhante, instalando assim um mecanismo onde são completas as dependências de como o sistema capitalista para manutenção da vida humana.

Num enfoque sistêmicos, as “Agriculturas Sustentáveis” não conseguiram dar as respostas para os problemas sócio-ambientais que vinham se acumulando.

A “Agroecologia é uma ciência para o futuro sustentável”. Isto porque, ao contrário das formas compartimentadas de ver e estudar a realidade, ou dos modos isolacionistas das ciências convencionais, baseadas no paradigma cartesiano, a Agroecologia integra e articula conhecimentos de diferentes ciências, assim como o saber popular, permitindo tanto a compreensão, análise e crítica do atual modelo do desenvolvimento e de agricultura industrial, como o desenho de novas estratégias para o desenvolvimento rural e de estilos de agriculturas sustentáveis, desde uma abordagem transdisciplinar e holística. Representa um poderoso instrumento de ruptura com a tradição reducionista na qual se baseia a ciência moderna, principalmente pela sua proposta de transdicisplinaridade, por incorporar a complexidade, a dúvida e a incerteza, além de validar também os saberes tradicionais e cotidianos.

Também não se pode pensar em Agroecologia como “ciência neutra”, já que há em suas pesquisas e aplicações claro posicionamento político. Ela se coloca como ciência comprometida e a serviço das demandas populares, em busca de um desenvolvimento que traga soluções sustentáveis para os diversos problemas hoje enfrentados na cidade e no campo.

Contrapõe o modelo de desenvolvimento, ao agronegócio, as transnacionais, questionando suas tecnologias, e integra várias áreas do conhecimento para elaborar propostas para o desenvolvimento sustentável. Vem sendo uma importante ferramenta para os movimentos sociais, como exemplo as Jornadas de Agroecologia, realizadas desde 2002 no estado Paraná pela Via Campesinas, criação das Escolas Latino Americana de Agroecologia, uma no assentamento do Contestado/MST, município da Lapa, Paraná e outra na Venezuela, no movimento estudantil, a Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB) e a Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF) possuem núcleos específicos para discutir o tema, além dos inúmeros grupos, institutos, ONG’s e associações que estão se organizando para construir a Agroecologia.

fonte: http://www.feab.wordpress.com

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Para alimentar o mundo e salvar o clima, o caminho é a agroecologia

29 de junho de 2010 ·

O cultivo agroecológico – que melhora a produção alimentar e a economia dos camponeses, além de proteger solo, água e clima – poderia alimentar uma população estimada em 9 milhões de pessoas em 2050 se começasse a ser implementado hoje. A conclusão é dos especialistas que participaram do Seminário Agroecológico das Nações Unidas, na semana passada, em Bruxelas.

O Relator Especial para o Direito à Alimentação, Olivier De Schutter, afirmou que a maioria dos esforços para impulsionar a produção agrícola estão focados em investimentos em grande escala, fertilizantes químicos e máquinas. No entanto, pouca atenção tem sido dada a métodos agroecológicos mais efetivos. O cultivo agroecológico inclui o controle biológico de pestes e doenças usando predadores naturais, adubação verde de cobertura, culturas mistas, gerenciamento da pecuária e uma série de práticas complementares.

Benefícios do cultivo agroecológico

O maior estudo já realizado sobre o assunto aponta um ganho aproximado de 79% na produtividade da agricultura. O estudo cobriu 286 projetos em 57 países em desenvolvimento, representando uma área total de 37 milhões de hectares. Algumas das “histórias agroecológicas de sucesso” podem ser vistas na África. Na Tanzânia, onde as províncias do oeste eram conhecidas como o “Deserto da Tanzânia”, técnicas de reflorestamento permitiram que 350 hectares de terra fossem reabilitadas em duas décadas e fizeram com que a renda familiar aumentasse em cerca de 500 dólares por ano. Técnicas similares estão sendo aplicadas satisfatoriamente no Malauí.

Os especialistas em Bruxelas basearam suas conclusões nas experiências de países como Cuba e Brasil, que tem políticas pró-agroecologia, e nas experiências de sucesso de centros de pesquisa como o Centro Mundial de Agroflorestamento em Nairobi – assim como em programas como o da Via Campesina, movimento transnacional que realiza programas de treinamento agroecológico. “Com mais de um milhão de pessoas famintas no planeta e o clima em crise bem à nossa frente, devemos rapidamente aplicar estas técnicas sustentáveis. O que precisamos hoje é passar de projetos-piloto de sucesso para uma escala de políticas nacionais. Esta é a melhor opção que temos hoje. Não podemos deixar de usá-la”, afirmou o professor De Schutter.

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